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Um ano depois, os dados são implacáveis

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Nos últimos meses, temos estado empenhados na consolidação de milhares de dados que, dispersos pela rede, refletem a nossa realidade enquanto professores – desde os concursos públicos às mobilidades estatutárias, passando pelos novos concursos extraordinários que trazem novos rostos à profissão.

Cruzámos notícias sobre carências infraestruturais com os relatos diretos que nos chegam através dos observatórios e formulários; analisámos declarações de autarcas e diretores escolares para diagnosticar problemas ao nível dos concelhos e, acima de tudo, processámos o contributo de milhares de colegas que nos fazem chegar os problemas reais das suas escolas.Colaborámos também com grupos de professores envolvidos em dinâmicas de luta e sensibilização, através de inquéritos, análise de dados e definição de estratégias de comunicação com a tutela.

Continuamos empenhados em sensibilizar os colegas para a importância dos dados – dos seus dados estatísticos e comportamentais. Acreditamos que esta é a chave mobilizadora de uma organização de classe que definirá os novos tempos de luta. Estes dados, colegas, servem sistematicamente os mesmos de sempre e raramente nos servem a nós. Somos os legítimos proprietários desta informação, mas raras vezes a utilizamos para fundamentar as nossas próprias decisões!

Temos registado sinais que demonstram que muitos professores, minimamente organizados em movimentos, associações ou enquanto “protagonistas mediáticos”, recorrem às nossas ferramentas de avaliação estatística para alicerçar as suas posições públicas. Sabemos também que temos servido de inspiração e que os nossos registos públicos têm sido consultados para fundamentar opiniões em múltiplos órgãos de comunicação social. Ficamos particularmente satisfeitos com essas atitudes.Este é o principal propósito do projeto metaPROF – estamos empenhados no advocacy, convictos de que a neutralidade não serve, no contexto social em que vivemos, os interesses dos professores.

Escolas Públicas: Um Retrato da Degradação

Um ano depois, os dados são implacáveis. Graças ao vosso contributo, a metaPROF construiu um arquivo denso e perturbador – fotografias e relatos que expõem, sem margem para dúvida, uma realidade indigna de um país que diz valorizar a educação. Como se pode pedir excelência a professores e alunos condenados a trabalhar em edifícios em colapso? Para além do registo, agimos: remetemos pedidos formais de esclarecimento a quase todas as câmaras municipais, exigindo informação sobre o estado real das escolas sob a sua responsabilidade.

Amianto

É inaceitável continuarmos a conviver com amianto exposto, onde cada tempestade renova o risco para a saúde de alunos e profissionais. Temos levado estas provas aos decisores – do MECI às autarquias, passando pela DGS e pela APA – mas o desdém institucional é absoluto. Continuamos sem uma única resposta, mas não ficaremos em silêncio.

Apesar deste abandono institucional, a Comissão Europeia abriu, em 30 de janeiro de 2026, um processo de infração contra Portugal pelo incumprimento do prazo de transposição da Diretiva Amianto (UE) 2023/2668. Mais do que nunca, é fundamental o envolvimento de toda a comunidade educativa na denúncia e sensibilização da opinião pública para este grave problema, que persiste nas nossas escolas.

Recursos disponíveis:

Inquéritos — Professores em Monodocência

Está neste momento em curso, até ao dia 9 de março, um inquérito nacional promovido pelo Movimento de Professores em Monodocência (PMP), com o envolvimento técnico e de consultoria direta da metaPROF → https://metaprof.pt/forms/pmd/form-2/

Desenvolvemos um formulário robusto e sofisticado, com capacidades de análise em tempo real, com o objetivo de informar e mobilizar o país para os problemas que afetam estes nossos colegas. O envolvimento da comunidade, 48 horas após a abertura do inquérito, é promissor: 2230 respostas, com representação de todos os concelhos de Portugal continental.

Como é já rotina na metaPROF, divulgaremos, no final do inquérito, um relatório com dados agregados, no sentido de potenciar uma discussão crítica e fundamentar ações diretas ou indiretas com base em amostras não probabilísticas.

Pode também consultar o último relatório “Falta de professores em monodocência” -> https://metaprof.pt/forms/pmd/relatorio/index.html

Colegas, os dados são o nosso espelho e a nossa arma. Usemo-los com determinação. Porque sem resistência não há futuro.

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