Será que são os alunos oriundos de contextos sociais desfavorecidos que degradam as condições físicas das nossas escolas, ou será antes a incompetência reiterada de um ministro que fala muito, promete ainda mais, acusa sempre alguém… e faz pouco ou nada pelas 427 escolas em estado de degradação?
Será também culpa dos estratos sociais mais pobres que, em 290 estabelecimentos de ensino, alunos e profissionais continuem a “conviver” diariamente com tetos e paredes contendo amianto — um problema identificado há anos, sucessivamente anunciado como prioritário e eternamente adiado, à espera de financiamentos que parecem existir apenas nos discursos?
E os 10,7% de recreios degradados? Terão sido arruinados pelo excesso de pobreza a brincar ao ar livre?
As áreas alagáveis em tantas escolas públicas — serão consequência direta da origem social dos alunos? Chove mais onde há alunos pobres?
E os tetos a cair, as goteiras persistentes, os forros danificados? Tudo isso será, certamente, resultado da falta de “cuidado” de quem pouco tem, e não de décadas de abandono, má gestão e propaganda política.
Ao que parece, a verdadeira pobreza não está nos alunos. Começa, isso sim, na incapacidade deste ministro perceber que o seu cargo público não lhe permite dizer tudo o que lhe vai na alma — mas obriga, pelo menos, a fazer alguma coisa.
Porque, ao que tudo indica, a pobreza começa no seu ministério.
Imagens e outros dados sobre a pobreza estrutural das nossas escolas em https://metaprof.pt/forms/deep/dash/
Feito por professores para professores.

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