Lisboa, 12 de julho de 2026 (23:24) A MetaPROF questionou publicamente o Eduqa (11 de julho) sobre um terceiro padrão de falha — Tipo C — identificado na Plataforma de Classificação: itens reportados por falta de folha de continuação que reaparecem já classificados, sem que se saiba por quem ou com que dados.
Menos de 24 horas depois, a SIC Notícias confirmou, no terreno, exatamente aquilo que os professores classificadores já vinham a documentar: dezenas de técnicos do Eduqa foram mobilizados numa operação noturna para procurar respostas em papel que desapareceram, nas vésperas do prazo de 14 de julho para a classificação de todos os exames.
Este episódio confirma algo que a MetaPROF tem repetido desde o início do dossiê: a comunidade de professores classificadores, através dos testemunhos que continuam a submeter, tem sido a peça fundamental do escrutínio desta crise, muitas vezes antes de qualquer confirmação oficial ou noticiosa. Não foi uma auditoria do Ministério, nem um comunicado do Eduqa, que trouxe este problema a público. Foi o relato direto, repetido e circunstanciado de quem está dentro da plataforma, dia após dia, a reportar respostas em falta.
Testemunhos como estes já apontavam, com dias de antecedência, exatamente para o que a SIC veio confirmar:
O papel decisivo dos professores classificadores
Classifiquei 35 e deixei uma pendente porque faltava a folha de continuação. Reportei o caso, e até hoje não obtive resposta.
Durante 5 dias tive 39 itens por corrigir com folhas de continuação em falta. Desapareceram todas as provas, substituídas por 81 exemplares de um item, das quais 7 já classificadas por outrem.
A reportagem da SIC não só corrobora o padrão Tipo C como levanta uma questão adicional: os técnicos mobilizados nesta operação noturna pertencem ao Eduqa e ao gabinete do secretário de Estado — não ao Júri Nacional de Exames. Pessoal fora do JNE passou assim a ter acesso direto às provas físicas numa fase crítica do processo, o que reforça precisamente a pergunta que a MetaPROF já tinha deixado ao Eduqa sobre quem classifica e com que dados quando o classificador original é contornado.
A presença do próprio ministro da Educação, Fernando Alexandre, no local de digitalização até tarde, e as reuniões de emergência marcadas para hoje com o Conselho das Escolas e associações de diretores escolares, confirmam que este deixou de ser um assunto estritamente técnico.
A três dias do prazo final de 14 de julho, e agora com confirmação jornalística do problema de fundo, a MetaPROF repete ao Eduqa e ao JNE as perguntas colocadas no comunicado de 11 de julho — às quais, até à data, não foi dada qualquer resposta escrita:
- Em que consistiu, tecnicamente, a intervenção generalizada realizada na noite de 9 para 10 de julho?
- Quando um item reportado por falta de folha de continuação é devolvido como "classificado" sem ação do classificador original, com que dados e por quem foi classificado?
- Qual é o procedimento oficial, até ao prazo de 14 de julho, para itens cuja folha de continuação nunca chegue a ser disponibilizada?
Dos 561 testemunhos recebidos pela MetaPROF desde o início do processo, pelo menos 95 mencionam explicitamente folhas de continuação, 61 referem ter recorrido ao mecanismo oficial de "reportar", e 32 falam em folhas de continuação em falta - catorze relatam ainda o próprio padrão Tipo C. A operação noturna relatada pela SIC não responde a nenhuma destas perguntas: confirma apenas que o problema continua por resolver a dois dias do prazo final.
Continuar a documentar
Cada testemunho submetido continua a reforçar este escrutínio e a dar mais peso às perguntas que ainda aguardam resposta. Se és professor classificador, aluno ou encarregado de educação e viveste uma situação semelhante, o teu relato importa.
Contacto para esclarecimentos: info@metaprof.pt · 917 352 023 · 916 021 587
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