Dossiê Exames 2026 · Comunicado · 19 de julho de 2026

Alerta cívico: nenhum resultado pode ser dado como seguro

Lisboa, 19 de julho de 2026. MetaPROF tem recebido, nos últimos dias, centenas de mensagens de estudantes e encarregados de educação, reunindo já largas centenas de testemunhos de pedidos de ajuda relacionados com os processos de reapreciação e com a inscrição na 2.ª fase dos exames nacionais.

Em tempo recorde, sem qualquer subsídio, sem apoio institucional de qualquer espécie e sem o reconhecimento das entidades tutelares a MetaPROF construiu uma plataforma de apoio à reapreciação de provas. É uma resposta da comunidade docente, numa genuína entrega ao serviço público, à incompetência generalizada revelada pelo Ministério da Educação ao longo de todo este processo.

Neste momento, a MetaPROF conta com 32 professores na sua Bolsa de Reapreciação - professores que, entre muitos outros, estarão amanhã, eles próprios, nas suas escolas, a prestar apoio direto aos seus alunos.

Antecipando um fim de semana de angústia, incerteza e desalento para milhares de famílias - porque as classificações de alguns alunos saíram já ao final da tarde de sexta-feira, e as escolas, naturalmente, encerram ao fim de semana - a MetaPROF manteve aberto o Espaço Reapreciação, permitindo algum acompanhamento a todas as famílias e estudantes que nos procuraram.

Amanhã, segunda-feira - véspera do arranque da 2.ª fase dos exames nacionais e dia em que abrem as candidaturas ao Ensino Superior - pedimos a todos os estudantes e respetivas famílias que se dirijam às suas escolas e exijam o acesso à prova integral, em versão digital (consulta ao abrigo do Modelo 09/JNE) e à classificação detalhada, item a item.

Este pedido é hoje mais urgente do que nunca. Fomos confrontados este domingo com a admissão, por parte do EduQA, de um "erro de exportação" informático grave na primeira remessa de notas enviada na sexta-feira. Pior: há relatos dramáticos de professores que receberam ordens para classificar exames aos quais faltavam páginas digitalizadas, originando alterações aberrantes de notas, após a descoberta de folhas perdidas no sistema. Instala-se, assim, uma quebra total de confiança na integridade das pautas.

Por este motivo, deixamos um alerta cívico: mesmo os alunos que viram as suas notas na sexta-feira ou no sábado devem reconsultar as pautas amanhã de manhã. Nenhum resultado pode ser dado como seguro. Da mesma forma, os alunos cujas pautas apresentavam o código de suspensão (-3) - que o EduQA assume afetar 1400 provas - entram na segunda-feira sem saber com o que contar, restando pouquíssimas horas para o fecho das inscrições da 2.ª fase.

Estamos convictos de que encontrarão, nas nossas escolas, professores, diretores de turma e equipas diretivas preparados para responder a estes pedidos - colmatando, desta forma, a incompetência generalizada de que temos sido testemunhas por parte do Ministério da Educação.

O Espaço Reapreciação mantém-se aberto como complemento a este processo, sem nunca se substituir ao trabalho rigoroso que cada agrupamento de escolas vai fazer amanhã.

Não podemos deixar de sublinhar que a MetaPROF reúne, neste momento, largas centenas de testemunhos, provas documentais e pareceres técnicos que nos permitem afirmar, sem qualquer dúvida e com sentido de responsabilidade: todos os estudantes que sintam que a sua classificação tem itens por avaliar, digitalizações ilegíveis, provas trocadas, disparidades de classificação ou outras anomalias - documentadas nas últimas semanas na nossa página - devem pedir a reapreciação da prova, tendo por base a total ausência de fiabilidade do processo.

Exortamos todos os alunos e encarregados de educação a reivindicarem ativamente os seus direitos legais de consulta e recurso. Perante os erros graves admitidos pela própria tutela, a passividade não é opção: os estudantes não podem ser penalizados por falhas administrativas e têm de exigir que cada página e cada item sejam rigorosamente validados. O futuro de uma geração, os seus sonhos e as suas aspirações, não podem ficar amputados pela incúria e injustiça de um processo, cujo único responsável é o Ministério da Educação.

Não podemos concluir este comunicado sem referir o trabalho incansável dos assistentes operacionais que abriram a escola - mais uma vez, "a casa" de todos - para que a comunidade educativa pudesse aceder aos resultados dos exames. É um esforço, tantas vezes invisível, feito de horas extraordinárias dedicadas à causa pública, que também sustenta o funcionamento da escola em dias como este. A eles, o nosso reconhecimento.

Uma palavra ainda para os assistentes administrativos que, na sombra, desempenham um trabalho incansável e de genuína entrega profissional na resolução de problemas que não criaram. São eles o primeiro rosto da escola.

O nosso profundo obrigado.

Contacto para esclarecimentos: Pedro Brito — MetaPROF.pt

MetaPROF — metaprof.pt

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